ITATIAIA foi o primeiro parque
nacional que visitei, ainda garoto, lá pelos idos dos anos de 1960,
levado pelos meus pais em férias com a família. Com orgulho posso afirmar que
pouca coisa mudou por lá desde então e muito menos o meu entusiasmo pela
natureza e pelas paisagens especiais da serra da Mantiqueira.
A partir dos anos 80 comecei a visitar o parque como fotógrafo, visitas estas que se acentuaram nos anos 90
quando cheguei a percorrer os arredores e trilhas do parque, muitas vezes em
duas ou três vezes por ano, sempre munido de uma ou mais câmeras, varias lentes
e filmes. E lá estavam as prateleiras, as Agulhas Negras, as trilhas de campos
de altitude, as encostas da serra e sua Mata Atlântica, o rio Campo Belo, as
cachoeiras, a parte alta e baixa do parque com seus acessos diferentes, flora e
fauna, prontos para serem fotografados, como que posando para minhas lentes nas
mais diversas luzes e estações do ano, com sol e chuva, vento e gelo. Percorri
seus caminhos sozinho, com um ou mais amigos e até com turmas de quinze a trinta
pessoas, quando dos trekkings das agencias de turismo ecológico. Sempre eu era
brindado com pelo menos uma foto excepcional, era como se o parque sorrisse com
a minha presença, pelo menos era o que eu sentia e retribuía registrando e
divulgando as suas belezas.
Não foi a toa que após vencer o
premio especial do primeiro concurso fotográfico do Parque Nacional de Itatiaia
em 2000, eu doasse as fotos ao Parque em agradecimento.
Portanto ao decidir fazer um
livro de fotografias não poderia ser
outro senão sobre este lugar que completa
agora 70 anos de existência como Parque Nacional, o primeiro Parque Nacional
brasileiro, um dos mais bonitos do mundo.
Quero com isto homenagear este
lugar que abriu meus olhos e sentidos para uma paisagem ainda intocada ou pouco
mexida, me despertou o gosto pelo belo, pelo prazer de estar em comunhão com a
natureza, caminhar em suas trilhas e registrar seus contornos, enfim, me acolheu
como fotógrafo.
Victor Andrade
Outono 2007